Graças à política de reajuste implantada pelo governo petista, atualmente o salário equivale a 43% do salário médio dos brasileiros

Arícia Martins (Valor, 11/01/19) informa: em seu último ano de vigência, a política de valorização do salário mínimo parece ter atingido seu limite para elevar o poder de compra da população que tem o rendimento atrelado a ele. Sob ao menos três diferentes óticas, a comparação entre o mínimo e outras medidas de renda ficou relativamente estagnada nos últimos três anos.

Segundo economistas, este é um argumento adicional para que o novo governo altere a regra de reajuste do mínimo. O principal deles é o impacto fiscal: o piso nacional é referência para quase 70% dos beneficiários da Previdência Social, maior rubrica de gasto primário do governo federal. O Itaú estima que, para cada R$ 1 de aumento além da inflação, há um custo adicional de R$ 350 milhões a cada ano, de caráter irreversível. Assim, em um período de dez anos, cada um ponto de alta real do piso gera mais 0,4 ponto de déficit primário.

Após o reajuste nominal de 4,61% sobre 2018, o piso nacional passou a valer R$ 998 a partir de janeiro de 2019, o equivalente a 43,3% da renda média em todo o país. Os cálculos foram feitos pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a pedido do Valor, com base na estimativa da entidade para a evolução da renda real dos ocupados neste ano.

Em 2018, essa a proporção ficou praticamente igual, em 43,2%, também considerando a projeção do instituto para a variação do rendimento médio dos trabalhadores no ano passado. O percentual é muito parecido ao de 2016 e 2017, quando o piso nacional equivaleu a 43,9% e 44,2% da renda média, respectivamente.

No início da série do Ibre, em 1996, o mínimo vigente era de R$ 100, ou apenas 22,5% da renda média na época, de R$ 443. Essa relação teve crescimento quase ininterrupto ano a ano, mesmo antes da criação do mecanismo atual de reajuste. Em vigor desde 2008 e transformada em lei em 2011, a regra corrige o mínimo pela inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, quando há expansão da economia.

Graças à política de valorização do mínimo, o piso teve aumento real de 74,3% de 2005 a 2019, destaca o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ele defende a continuidade da norma atual de correção.

A desaceleração da atividade ocorrida desde 2011, porém, moderou os ganhos do mínimo nos últimos anos, principalmente em 2017 e 2018, quando os índices reais de reajuste foram ligeiramente negativos. Em 2019, considerando estimativa de alta de 3,48% do Dieese para o INPC no ano passado, o mínimo deve superar a inflação em 1,1%.

Como o aumento do mínimo é indexado à variação defasada do PIB e a renda do trabalho responde mais depressa às condições da economia, o rendimento médio cresceu mais do que o piso nacional nos últimos dois anos. Isso explica a estagnação do poder de compra do piso nacional nesta medida.

A valorização real do mínimo teve papel importante para reduzir a desigualdade até 2012, período em que estava em curso o aumento da formalização no mercado de trabalho. Por isso, os reajustes elevaram a renda de quem estava nos estratos mais baixos e passaram a fazer parte do meio da pirâmide, diz, ao conseguirem um emprego com carteira. Nos últimos quatro anos, porém, esse efeito perdeu força e o emprego informal voltou a crescer.

“No período mais recente, na medida em que a renda do trabalho dos mais pobres caiu, o que segurou a renda familiar foi o salário mínimo. Mas esta é uma ajuda marginal, que não melhora de fato a distribuição de renda”, disse o pesquisador.

Outra forma de medir a evolução do poder de compra do salário mínimo é compará-lo à renda mediana dos trabalhadores, que estaria em cerca de R$ 1,3 mil. Nesse conceito, são eliminadas poucas pessoas da amostra da Pnad que concentram muita renda, explica.

Em seus cálculos, a relação entre o mínimo e a renda mediana dos ocupados está em 73,4%, considerando o mínimo do ano passado, de R$ 954, e a renda da Pnad do terceiro trimestre de 2018. Em igual período de 2017, essa proporção estava em 76,9%. Como a renda do trabalho é muito concentrada no topo, o salário mediano elimina as distorções causadas pela concentração de renda e mostra que o mínimo é muito mais próximo do que o brasileiro ‘padrão’ ganha do que o rendimento médio mostra.

A comparação entre o mínimo e o valor da cesta básica também evidencia que o poder de compra do piso é praticamente o mesmo pelo terceiro ano seguido. De acordo com o Dieese, em janeiro deste ano, o mínimo equivalia a 2,2 cestas, maior poder aquisitivo desde 1995. Ainda assim, o avanço foi pequeno ante 2018, quando o piso comprava 2,13 cestas, e também em relação a 2017 (2,16 cestas).

Após a crise, a importância da elevação real do salário mínimo está perto de se esgotar, e o prosseguimento da política atual pode surtir efeito negativo sobre o mercado de trabalho, avalia Donato. “Aumentar o mínimo acima da inflação não teria o efeito desejado neste momento. Como o faturamento das empresas não reagiu o suficiente, fica difícil contratar na modalidade formal com salários elevados, o que pode acabar expandindo a informalidade”, diz.

Relatório do Banco Mundial do início de 2018 vai na mesma direção. No documento, a instituição aponta que o salário mínimo no Brasil cresceu mesmo em um período de recessão, o que favorece o avanço da participação do emprego sem carteira.

Segundo a entidade, salários mínimos elevados e obrigatórios aumentam os custos de trabalhadores menos qualificados, o que estimula a substituição do trabalho por tecnologias que economizam mão de obra, ou empurra trabalhadores para a informalidade. Salário baixo não cria emprego!“Talvez seja o caso, portanto, de rever as políticas de salário mínimo”, afirmam os economistas do banco. Xô, Banco Mundial!Esta também é a visão da equipe econômica do Itaú, para quem o governo deve passar a corrigir o mínimo pela inflação de 2020 em diante. Segundo os economistas da instituição, a manutenção da regra atual geraria custo adicional R$ 7 bilhões ao ano para o governo federal, o que dificultaria ainda mais o cumprimento do teto de gastos.

Os reacionários da casta dos mercadores não se importam com os párias brasileiros!

 Do  Blog Cidadania & Cultura

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Em 2018, os três maiores bancos privados do Brasil lucraram R$ 57 bilhões

Os três maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, registraram um lucro líquido recorrente de R$ 15,713 bilhões no quarto trimestre do ano passado, 13acima do apontado no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 13,894 bilhões. Ao longo de 2018, estas instituições financeiras registraram lucro de R$ 59,695 bilhões, 10,84% maior que em 2017, quando este valor chegou a R$ 53,856 bilhões.

A expectativa para este ano é que o lucro cresça ainda mais. No Bradesco, a projeção é para um crescimento de 20%. Já o Itaú projeta um crescimento de 11%. O Santander não divulgou suas projeções para este exercício. As expectativas estão relacionadas ao potencial da expansão da carteira de crédito. No Bradesco, a meta é que os empréstimos passem de 9% para 13%, enquanto o Itaú projeta um aumento tipo de operação para 11%, contra os 8% atuais.

Com o 247

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As manipulações nas redes sociais, os perigos da internet e os ataques à democracia

David Runciman, no livro “Como a democracia chega ao fim”, diz: “toda vez que entramos na internet em busca de novas informações para nosso uso, acabamos fornecendo novas informações sobre quem somos a todo tipo de parte interessada. Primariamente, isso nos afeta como consumidores. O histórico das nossas buscas dá aos fornecedores a informação de que precisam para direcionar seus produtos a nós. Pesquisar é ser pesquisado. Procurar vantagem competitiva como consumidor individual é revelar seus segredos”.

E existe um equivalente político. O volume de informação disponível online torna muito mais fácil para os eleitores escolher suas fontes de notícias. É fácil imaginar que isso seja a democracia em ação — ficar de olho! No entanto, e se o nosso gosto por certos tipos de notícia revelar aos outros as nossas preferências, e buscar por elas sirva simplesmente para revelar nossas inclinações? Nosso desejo de nos mantermos informados se transforma num meio de acompanharem nossos rastros. E torna possível ajustar as notícias de modo a garantir que jamais descobriremos nada de novo.

O medo da difusão de fake news reflete essa crescente ansiedade — como saber se a nossa busca de informações não irá se converter numa oportunidade para ainda mais manipulação? Uma operação sofisticada de notícias políticas pode transformar as eleições em uma versão do algoritmo comportamental: só nos é mostrado o que já sabem que estamos dispostos a comprar.

Uma empresa misteriosa chamada Cambridge Analytica, fundada por alguns destacados partidários de Trump, parece ter negociado o fornecimento de informações sobre eleitores com base em suas identidades virtuais. E isso teria determinado o direcionamento de conteúdo ao feedde notícias de cada usuário. É difícil saber se a ação fez alguma diferença. Mas a margem da vitória de Trump foi suficientemente estreita — apenas dezenas de milhares de votos em alguns estados-chave — para sugerir que pode ter feito.

Enquanto isso, o Kremlin redescobriu seu apetite por bombardear os eleitorados ocidentais com desinformações, com base numa extensa coleta de dados. No Twitter, programas-robô (bots) que simulam participar do debate sobre a democracia estão sendo programados para tornar esse debate impossível, transformando qualquer discussão política numa gritaria sem fim. Esses programas, que imitam muito mal a inteligência humana, podem ainda assim simular muito bem o comportamento de eleitores enfurecidos. Só precisam fazer muito barulho.

Sem dúvida, são muitos os riscos para a democracia nesse caso. Mas por enquanto podem estar sendo exagerados. A micromanipulação do eleitorado é certamente mais difícil do que parece— e muito do que a Cambridge Analytica vende não passa de conversa fiada. Temos uma tendência a superestimar a facilidade com que gente mal-intencionada consegue resultados monstruosamente complexos. Manipular os resultados de uma eleição sempre deu muito trabalho.

“Muitos exemplos de fake newstêm pouco a ver com alguma conspiração contra a democracia. Não passam de oportunismo, traço exuberante na internet. Várias das notícias falsas mais compartilhadas no Facebook durante a eleição presidencial de 2016 foram produzidas por um grupo de hackers adolescentes sediados na Macedônia (“O papa apoia Trump!” foi uma das mais populares). Eles não eram pagos pelo Kremlin.

A imagem mental de espectadores e atores dominantes das concepções modernas de democracia é humanística demais para a era digital. Esses sistemas de coleta de dados não passam de máquinas, e as máquinas não observam o mundo como os seres humanos — limitam-se a acumular informações.

“A ideia da democracia como espetáculo teatral foi suplantada pela ideia da democracia como publicidade. Primeiro o rádio e depois a televisão mudaram os termos da metáfora. Já a ideia subjacente não mudou muito. Eles produzem política; nós consumimos”.

As eleições são a prova final de qual produto vende mais, e fortunas foram ganhas e perdidas prestando o serviço de ajudar os políticos a transitar nesse mercado. Empresas como a Cambridge Analytica estão fazendo algo muito diferente disso? Em certo sentido, não: esta é apenas a versão mais recente do concurso permanente para ver quem doura a pílula com mais eficiência. Noutro sentido, porém, a reviravolta foi fundamental. As técnicas de venda política no século XX obedeciam a um ritmo bem claro. A finalidade era sempre fechar o negócio no momento da eleição seguinte.

Leia mais no https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2019/02/01/manipulacao-eleitoral-por-meio-da-rede-social/#more-56826

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O ministro da Educação do governo Bolsonaro, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, afirma que o brasileiro é ladrão e que universidade não é para todos

O colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, concedeu entrevista estarrecedora à revista Veja, que vai às bancas neste fim de semana.

Vélez chama os brasileiros de ladrões e disse que eles roubam até hotéis quando viajam ao exterior. “O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem que ser revertido nas escolas”, afirmou.

O ministro disse também que vai acabar com cotas e com a universidade pública. “Em nenhum país do mundo a universidade chega para todos. Ela representa uma elite intelectual, para a qual nem todos estão preparados”, afirmou.

Nunca, em toda a sua história, os brasileiros foram tão humilhados por uma autoridade pública.

Leia a entrevista na íntegra.

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O que a Justiça, o MPF e a PF fizeram e estão fazendo com o ex-presidente Lula é de uma crueldade imensurável

: <p>Vavá e Lula</p>O jornalista Kennedy Alencar afirma em seu blog que, “ao temer atos políticos, as democracias começam a morrer”. “O teatro protelatório da Justiça e da Polícia Federal para impedir Lula de velar e sepultar o irmão Vavá é um precedente perigoso que mancha a democracia brasileira”.

Segundo ele, “aqueles que aplaudem hoje a crueldade contra o ex-presidente podem ser vítimas no futuro de uma ação persecutória do mesmo tipo”. “O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, autorizou Lula a encontrar familiares e, eventualmente, o corpo do irmão numa unidade militar minutos antes de Vavá ser enterrado”, complementa.

“Isso é um absurdo, sobretudo se for levado em conta que a ditadura militar de 1964 permitiu, tempestivamente, a saída de Lula da prisão para comparecer ao velório e sepultamento da mãe, dona Lindu. A Justiça adotou procedimento protelatório para evitar contato de Lula com a imprensa, amigos e militantes do PT”, continua. “Será que a democracia brasileira é tão frágil que não pode ouvir o que Lula tem a dizer à imprensa? Ou será alquebrada por manifestações de militantes petistas num velório?”, questiona.

Leia a íntegra no Blog do Kennedy Alencar

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