news_35987_big_200908051326016aafDesigualdade e pobreza são duas palavras sempre em moda no Brasil, seja nos debates na mídia ou na academia ou no cotidiano das pessoas que sofrem na pele a realidade imposta na prática por esses dois termos. O nosso país, por razões históricas, sempre foi concentrador de renda e riqueza, onde muitos possuem muito pouco e poucos possuem muito. Com os esforços de alguns governantes bem intencionados e pela conjuntura econômica, com a estabilização dos preços após a implantação do Plano Real, uma camada razoável da nossa população deixou a linha abaixo da pobreza e passou a fazer parte da sociedade de consumo e muitos outros ingressaram na classe média. Entretanto, ainda existem muitas pessoas que dependem da ajuda do Estado para poderem se alimentar.

 

Em um comunicado, o IPEA causou polêmica ao afirmar que em 2016 o Brasil teria uma condição social muito parecida com a existente nos países ricos, notadamente no que se refere ao nível de miséria. Evidentemente, o conceito de pobreza é muito subjetivo e difícil de ter uma medida que seja mais justa e coerente com a realidade. Classificar uma família que tenha uma renda por pessoa de R$ 800, 00, por exemplo, de não pobre é bastante temerária. A classificação para pobreza absoluta, ou seja, miséria, que é de até meio salário mínimo, parece ser até justificável, mas para a classificação de pobre e não pobre merece uma melhor reflexão para que se possa definir um valor limite de renda que delimite melhor esses estratos sociais de nossa sociedade. Mas, independente disso, os números são sempre positivos e mostram melhoras no padrão de renda do povo brasileiro, consubstanciado pelo forte consumo interno. Isso é uma mostra de que as pessoas que estão saindo da miséria estão consumindo. Geralmente, as pessoas com renda mais baixo consomem praticamente tudo que ganham, o percentual de poupança dela é bastante baixa.

 

Segundo esse mesmo comunicado do IPEA, como era esperado, diminuir a desigualdade de renda é muito mais difícil do que diminuir o nível de pobreza em nosso país. No período de 1995 a 2008 a taxa de pobreza absoluta que ganham até meio salário mínimo caiu, em média, 0,9% ao ano, enquanto que o nível de desigualdade verificado nesse último ano é apenas um pouco abaixo do verificado em 1960. Apesar das políticas de rendas e de assistência social que os governos praticam notadamente o governo federal, embora tenham logrado reduzir o nível de miséria não foram suficientes para diminuir esse fosso enorme entre as pessoas em termos de renda e riqueza no Brasil. Os vários programas de cunho social, notadamente o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo muito acima da inflação nos últimos anos o que afeta uma camada muito grande da população principalmente os que dependem de aposentadorias foram os principais motores da melhora das condições de vida das pessoas.

 

É claro que ainda faltam muitas coisas, além, evidentemente, de se manter essa política e luta pela redução de miséria em nosso país. Ainda muitas pessoas não têm acesso aos serviços de saúde que possa ser considerado digno para a pessoa humana, a educação de qualidade ainda é para poucos, o nível de emprego não é adequado, é necessário criar condições para que levem ao aumento de oferta de empregos, o nível de segurança é extremamente baixo e precisa de atenção e investimento urgente, as nossas estradas e rodovias estão em estado péssimo e as que estão em bom estado não se pode trafegar por elas a não ser que se pague pedágios mais caro do que o combustível utilizado no mesmo trajeto. Enfim, ainda muitas coisas precisam ser feitas. A política social está no caminho certo, apenas com algumas alterações na metodologia, mas existe uma série de providências que devem ser tomadas para que a vida das pessoas em geral possa efetivamente melhorar. Isso é o que de fato interessa a todos, melhora nas condições de vida de todas as pessoas. É preciso atender as necessidades do povo brasileiro.

 

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