Para o jornal francês Le Monde, a Lava Jato está sendo a responsável pela fraqueza da economia brasileira

Rádio França Internacional - A edição desta quinta-feira (30) do jornal vespertino Le Monde traz uma reportagem sobre como a operação Lava Jato pode ter agravado a crise econômica do Brasil, com o título “A volta da ética fragilizou a economia”. O texto é assinado pela correspondente em São Paulo, Claire Gatinois.
Ela começa dizendo que a manifestação do domingo (26) contra a corrupção foi um fiasco. “Três anos depois da deflagração da operação Lava Jato, que revelou o tentacular sistema de propinas implicando colarinhos brancos e políticos na pilhagem dos caixas da Petrobras, o cansaço parece prevalecer sobre a sede por ética. Para uma parte da população, a operação é, em grande parte, responsável pela grave crise econômica do país”, escreve.
Entrevistado pelo jornal, o secretário da CUT (Central Unica dos Trabalhadores), João Cayres, diz que “a Lava Jato paralisou o país levando ao desemprego milhões de trabalhadores que eram irreprocháveis”. A correspondente ressalta que o sindicato é próximo ao PT (Partido dos Trabalhadores).
Cayres afirma que a falta de discrição dos policiais, que transformara a operação em espetáculo midiático, contribuiu para a redução do tecido industrial do país; “Não defendo os corruptos, mas, em outros lugares do mundo, condenamos os culpados, não a empresa no seu conjunto”, diz.
Para o Le Monde, “seria arriscado atribuir a queda de 9% do PIB desde 2014 e os cerca de 13 milhões de desempregados ao poder Judiciário”.” O ano de 2014, quando houve as primeiras prisões, foi também o ano da desaceleração do crescimento da China, parceiro importante do Brasil, e a queda de preço de matérias-primas, sobre as quais o país havia baseado sua prosperidade”, continua a reportagem.
Energia e construção
Gabriel Kohlmann, da consultoria Prospectiva, disse ao jornal que “a operação Lava Jato não foi a única responsável a mergulhar o Brasil na crise, mas afetou dois setores importantes: energia e construção, que contavam com 15% de investimentos em 2013″.
A correspondente escreve que “a descida ao inferno de grande atores econômicos, como a Petrobras e a empreiteira Odebrecht, dá uma ideia dos danos provocados”. “Desde 2015, a Petrobras vendeu ativos por 12,6 bilhões de euros e demitiu 13.655 empregados por meio de um plano de demissão voluntária. Na Odebrecht, os investimentos recuaram R$ 12 bilhões desde 2014, e o tamanho da empresa foi reduzido à metade. O diretor do grupo, Marcelo Odebrecht, se encontra na prisão.”
“A caça aos corruptos é louvável. Mas a lentidão e os métodos da Justiça perturbaram os negócios das empresas”, opina Nelson Marconi, economista da Fundação Getúlio Vargas. As dificuldades da Petrobras e da Odebrecht e de outras companhias, como a OAS ou a Andrade Gutierrez, afetaram empresas que dependiam das obras desses gigantes para sobreviver.
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Saiba qual foi o pior crime de Eduardo Cunha

Nesta quinta-feira, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a sentença condenatória, ele deverá cumprir a pena em regime fechado.

Cunha foi o condutor do golpe de 2016, que tirou Dilma Rousseff do poder. Todavia, para muito além da roubalheira que, em tese, o manteria fora de circulação por uma década e meia, os piores crimes que ele cometeu não foram os alegados na sentença condenatória.

A situação dramática em que o país está se deve a estratagemas do ex-presidente da Câmara com vistas a derrubar Dilma Rousseff inviabilizando seu governo ao impor despesas que ficaram conhecidas como “pautas-bomba” e impedindo que o Congresso votasse medidas para evitar a crise.

Porém, o que desencadeou o processo de sabotagem do país foi a decisão de Dilma e do PT de não proteger um gangster cujos crimes – ou uma modesta parte deles – estão descritos na sentença que o condenou à prisão.

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PMDB do Senado lança carta contra o projeto da terceirização aprovado na Câmara

Manifesto foi lançado nesta terça-feira 28, em Brasília, e assinado, entre outros, pelos senadores Marta Suplicy e Renan Calheiros, além de Eduardo Braga e Kátia Abreu.
A maior crítica é quanto à aprovação, pela Câmara, do Projeto de Lei 4.302, que segundo os parlamentares “precariza as relações de trabalho, derruba a arrecadação, revoga conquistas da Consolidação das Leis do Trabalho e piora a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência”.
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Economista mostra que a Lava Jato destruiu quatro milhões de empregos

Em artigo publicado no site da revista CartaCapital, o professor do Instituto de Economia da UFRJ, João Sicsú, avalia que “os efeitos negativos da operação Lava Jato podem explicar o desemprego de cerca de 3 a 4 milhões de trabalhadores” brasileiros.
“Algumas consultorias divulgaram estudos que avaliam que do resultado negativo do PIB de 3,8% em 2015 e de 3,6% em 2016, estima-se que a operação é responsável por entre 2 e 2,5 pontos percentuais da queda de cada ano. Em outras palavras, se não fosse a Lava Jato, a recessão de cada ano teria sido algo em torno de 1,5%”, diz ele.

Sicsú lembra que “a Lava Jato não causou somente efeitos malignos diretos, tais como na empreiteira OAS que tinha 120 mil trabalhadores e, hoje, tem 30 mil, ou sobre a Engevix, que tinha 20 mil empregados e, agora, possui somente 3 mil. Nem causou efeitos negativos somente reduzindo a oferta de vagas de trabalho na construção civil e na indústria”.
“Os efeitos da Lava Jato começam nas empresas envolvidas pela operação, mas se espalham por toda a economia chegando até o mercado informal de trabalho (por exemplo, quando o desempregado egresso da OAS dispensa os trabalhos da sua diarista)”, explica. Leia aqui a íntegra. (Com o 247)
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Reforma Política deverá ter lista fechada para candidatos ao legislativo

O Congresso avança na articulação da Reforma Política. O texto, que pretende trazer “mudanças bastante significativas para uma nova cultura política brasileira”, nas palavras do relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP), por outro lado movimenta previsões que favorecem parlamentares alvos de investigações e da Lava Jato.
O relator da proposta afirmou que pretende apresentar o relatório já no dia 4 de abril. Segundo ele, pontos como por exemplo a instituição de mandatos de 10 anos para membros de tribunais federais, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST), e demais cortes que têm membros escolhidos por indicações políticas.
Outro dos trechos destacados é a extinção do cargo de vice nos três entes federados, realização de eleições para Executivo e Legislativo em anos diferentes, além do próprio financiamento público das campanhas e o voto em lista fechada para eleições parlamentares. Estes dois, os mais polêmicos.
A tentativa de acrescentar à reforma política a chamada “lista fechada” já vinha sendo articulada nos últimos meses. Neste domingo (19), por exemplo, um almoço na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), junto a Aécio Neves (PSDB), o ministro do STF Gilmar Mendes e outros políticos debatiam o tema. Todos em defesa.
A justificativa dos parlamentares, sobretudo daqueles que entram agora para a mira da Operação Lava Jato, por meio das delações da Odebrecht, é de que o modelo de financiamento eleitoral não funciona mais e o sistema de lista fechada economiza recursos de campanha, que vão para o partido e não para cada um dos candidatos.
No modelo atual, de lista aberta, os candidatos são votados individualmente e também movimentam contas separadas e desproporcionais, ainda que dentro de um mesmo partido. Na lista fechada, são as siglas que apresentam os nomes dos candidatos em uma ordem. Após a votação nos partidos, os candidatos da lista ocupam as cadeiras de acordo com essa lista definida.
“A lista pré-ordenada muda o patamar, dá uma nova visão daqui para frente. Vai moralizar e fortalecer os partidos, porque o eleitor vai votar naquele com o qual tem afinidade ideológica, e despersonalizar a política”, defendeu o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), após o jantar com os parlamentares.
“Acreditamos que a solução será estabelecer que, nesta primeira eleição, em 2018, os deputados terão prioridade na lista”, completou o presidente do DEM, senador José Agripino. Logo após conversar com os parlamentares, Gilmar se reuniu com o atual presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu. “Não adianta nada falar de criar um sistema público de financiamento com o sistema que temos hoje de lista aberta”, também defendeu o ministro.
O relator na Câmara, Vicente Candido (PT-SP), admitiu que a reforma deverá incluir tanto a lista fechada como o sistema de financiamento. O deputado propõe um período de transição para ocorra essa modificação completa, sendo que a partir de 2026, ocorreria o distrital misto, elegendo-se metade dos parlamentares por distrito e a outra metade por lista fechada.
“Há hoje o sentimento de que ou nós fazemos a reforma ou vamos cometer uma espécie de crime de lesa-pátria: seria uma irresponsabilidade muito grande do Congresso, e não é uma reforminha, é uma reforma com conteúdo”, defendeu, por outro lado, o deputado. (Com o GGN)
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